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JAC J3: (Bom) Negócio da China
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JAC J3: (Bom) Negócio da China
JAC J3: (Bom) Negócio da China
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Como lutar contra uma reputação ruim? Perguntinha difícil, não é? No caso dos produtos chineses, é quase unanimidade. A fama costuma ser bem negativa no imaginário do brasileiro. Mas a JAC Motors que provar que esse preconceito em relação aos automóveis já pode ser derrubado – ou, ao menos, revisto. Na última sexta-feira, 18 de março, a marca chinesa fez sua estreia nacional. E com uma ação bastante ousada e inédita: mais de 50 lojas foram inauguradas simultaneamente de norte a sul do País. A ideia foi mostrar a força do pós-vendas, algo bem compreensível. Até agora, este é um dos principais pontos fracos das montadoras chinesas.
Para reverter esse quadro e demonstrar confiança aos brasileiros, a JAC Motors promete revisões a preços fixos (e baixos) e grande disponibilidade de peças. O galpão da fabricante, localizado em Barueri, no interior de São Paulo, já dispõe de grande estoque, com 16 containers de peças devidamente armazenadas. Toda essa logística tem por trás a experiência do grupo SHC, comandado pelo empresário Sergio Habib, que por anos presidiu a Citroën do Brasil. Para trazer a JAC Motors, Habib mandou a fábrica chinesa modificar centenas de itens nos modelos que serão oferecidos por aqui. Só na linha J3 foram alterados 242 componentes.
O hatch J3 (R$ 37.900) e o sedã J3 Turin (R$ 39.900) serão os primeiros carros da JAC disponíveis nas lojas. Segundo Sergio Habib, os compactos serão os prováveis “best-sellers” da marca. Em junho, estreia a minivan média J6. Depois, em setembro, será a vez do sedã médio J5. Para chegarem às lojas, todos os quatro modelos enfrentaram uma intensa e longa bateria de testes. Era fundamental que os carros estreassem prontos para as ruas brasileiras. Molas e amortecedores das suspensões foram recalibrados, a direção recebeu ajustes. Até os bancos foram alterados. Tudo para atender ao que Habib acredita ser o gosto dos brasileiros.
Como toque final, a JAC reviu até a garantia de fábrica. O período anunciado era de três anos, mas para mostrar força, Habib duplicou o prazo para inéditos seis anos de cobertura. Quer dizer, tudo o que era possível fazer para tornar os carros da JAC Motors um sucesso por aqui foi efetivamente feito. Agora, é nas lojas. E o trabalho será árduo. O empresário brasileiro quer emplacar 35 mil unidades até dezembro. A meta é arrojada, mas Habib contará com R$ 145 milhões para publicidade e o apresentador dominical Fausto Silva como garoto-propaganda. Abaixo, vocês conferem as primeiras impressões a bordo do J3, o promissor hatch chinês.
Desvendando o JAC J3
Minha aventura a bordo do JAC J3 começou logo depois do lançamento da marca. Ainda no hotel onde aconteceu a coletiva com os jornalistas, em Campinas (São Paulo), caminhei até o hatch chinês, que me surpreendeu de imediato pelo visual. Suas linhas limpas e arqueadas, esculpidas na Itália pelo renomado estúdio Pininfarina, surgiram de elementos das tradicionais máscaras chinesas – cheias de expressão facial. Dentro do carro, levei quase dez minutos até ligar o motor, passar a primeira marcha e acelerar rumo à rodovia Anhanguera, sentido capital. Não foi uma demora proposital. Era o meu primeiro contato com o veículo. Além dos ajustes, eu queria entender e localizar os comandos. Fucei tudo. Apertei quase todos os botões, feito criança.
Antes de sair, conferi até os plásticos das peças de acabamento do painel. E digo o porquê: até então, todos os modelos de marcas chinesas com os quais eu havia tido contato decepcionavam já no primeiro olhar. Mas com o J3 foi diferente. As texturas e o visual, de modo geral, agradaram. E as peças não estavam mal encaixadas. As saídas de ar centrais têm molduras que imitam cromado, há uma interessante variação de tons (cinza escuro com destalhes em prata) e o quadro de instrumentos tem formato incomum – o relógio do conta-giros fica dentro do relógio principal, do velocímetro. Mesmo a iluminação azul, presente em outros chineses, como o pequeno Chery Face, é menos “chinesa” que de costume. Em resumo, o carro aparentou ter qualidade.
Claro, nem tudo é perfeito. Por R$ 38 mil e com um conteúdo de série farto, era de se esperar “falhas”. Anotei algumas. Não há, por exemplo, ajuste de altura para o banco do motorista, nem de profundidade para o volante. Como consequência, ao fazer os ajustes, os comandos de abertura elétrica dos vidros, posicionados no descansa-braço da porta, ficam mais atrás, forçando algum contorcionismo. Também notei a ausência de computador de bordo – há apenas o odômetro – e de uma luz nos instrumentos para indicar que os faróis estão ligados, já que o painel fica permanentemente aceso (blackout). Senti falta ainda de um botão para destravar as portas, ação realizada apenas pelos pinos das portas, e de outro para ajuste da intensidade da luz do painel.
É nesses pequenos detalhes que está o segredo para um preço tão competitivo. Mas ainda que o J3 fosse impecável, com todos esses itens presentes, teríamos algo a observar. Por exemplo, os pneus 185/60 de aro 15 são da GT Radial (Champiro), marca pouco conhecida dos brasileiros e cujos preços costumam ser menores que o dos pneus de marcas tradicionais, como Goodyear e Pirelli – é difícil até encontrar esses modelos em lojas especializadas. Já as portas possuem abertura gradual, em dois estágios, como ocorre em muitos modelos nacionais. Mas em ladeiras, é preciso ter cuidado, pois elas (as portas) ficam meio “soltas” e, dependendo da inclinação da carroceria, podem voltar com força, causando acidentes.
Motor e suspensão mostram sintonia
Feitos os primeiros ajustes e considerações, fui finalmente experimentar o J3 na rodovia Anhanguera, pista que voltei a percorrer nos dias seguintes, em nova viagem ao interior paulista no hatch chinês. Nas primeiras manobras, o câmbio manual de cinco marchas decepcionou um pouco. Apesar da suavidade e leveza e do curso acertado da alavanca, os engates enroscam um pouco, principalmente nas reduções. A perda de fôlego nas retomadas, sobretudo em subidas, também desanimou um tanto – o escalonamento poderia ser mais justinho, já que o motor mostra sua melhor forma a partir dos 4.500 giros, quando o torque máximo de 14,1 kgfm é despejado por inteiro.
Uma vez na rodovia, comecei a “estudar” o propulsor 1.4 litro, com bloco feito em alumínio, sistema de variação das válvulas de admissão (VVT) e 108 cv aos 6.000 giros. Ali veio a primeira boa surpresa no J3: trabalhando em giros altos, o motor esbanja energia para empurrar o hatch chinês, com acelerações bastante lineares e pouca vibração e ruídos. Aliás, um dos aspectos modificados no modelo foi justamente o isolamento acústico, que se mostrou acertado para o bloco. Apesar de as portas não filtrarem tão bem os barulhos externos e aerodinâmicos, quase não se ouve o ronco meio agudo do propulsor 1.4 litro, mesmo quando este trabalha a rotações bem elevadas.
Outro aspecto que impressionou foi o acerto da suspensão. Este, inclusive, foi um dos itens mais trabalhados pelos engenheiros da JAC. Era preciso deixar o conjunto bem acertado e, para isso, foram feitos diversos ajustes e percorridos mais de dois milhões de quilômetros antes do lançamento. E o resultado é realmente positivo. Ao contrário de outros modelos importados da China, o J3 é firme e, ao mesmo tempo, macio. Está prontinho e adequado às ruas brasileiras. O ajuste da suspensão lembra muito o dos compactos da linha Fiat Palio e os Renault Sandero e Logan. E é até superior ao Palio, já que o hatch da JAC é mais moderno e tem maior rigidez estrutural que o modelo da marca italiana, que ganhará nova geração em breve.
Em movimento, o J3 mostrou vigor para acelerar e firmeza nas curvas, mesmo em manobras mais intensas – mas, claro, salvas as devidas proporções. Ainda que a suspensão seja bem calibrada, o compacto inclina a carroceria e embica a dianteira nas frenagens mais agudas. O hatch só decepciona nas retomadas, como mostram os números do Instituto Mauá de Tecnologia. Para ir de zero a 60 km/h, o J3 precisou de bons 5,6 segundos, tempo bem menor que os 13,5 segundos gastos para ir até os 100 km/h. Já para resgatar o fôlego dos 60 km/h aos 100 km/h foram necessários longos 14,6 segundos. E para ir dos 80 km/h aos 120 km/h foram precisos 15,1 segundos.
Outro aspecto positivo revelado pelos números do Instituto Mauá é o consumo. A tecnologia flex só chegará ao J3 e aos demais modelos da JAC Motors no início de 2012. Mas o rendimento do hatch compacto com gasolina é de deixar muitos carros nacionais com a “pulga atrás da orelha”. Na cidade, o carrinho chinês entregou ótima média de 11,5 km por litro de combustível. Já na estrada, o rendimento foi de excelentes 17,3 km/l – a média equivale à dos modelos equipados com motores mil (1.0 litro). Muito desse rendimento vem do baixo peso da carroceria (1.060 kg em ordem de marcha) associado ao motor moderno, com comando variável de válvulas (VVT).
Conforto é bom, mas pode melhorar
Nesses seis dias de contato direto com o J3, ficou claro o esforço da JAC em entregar um carro compatível com os modelos à venda no País. Exceto o Chery Face, nenhum veículo chinês até agora tinha se aproximado, em qualidade, dos concorrentes nacionais – sobretudo no quesito acabamento. Mas o J3 está ajeitado. Sergio Habib mandou melhorar o isolamento acústico, ainda distante do ideal, mas agradável; mandou trocar os bancos, feitos com espumas de boa densidade, nem muito molenga nem duras demais; e solicitou que alterassem as peças plásticas do acabamento, com texturas e visual mais sedutores os olhos e ao toque.
Mas de todas as mudanças, a mais evidente é a qualidade da montagem. A ausência de rebarbas e o encaixe preciso das peças do painel denotam esmero, ao mesmo tempo em que a variação de texturas e materiais aparenta bom gosto. O cromado dos anéis das saídas de ar e das maçanetas das portas, por exemplo, emprestam algum requinte ao interior quase todo coberto em plástico rígido. No chão, há tapetes em carpete em vez de borracha. E o tecido aveludado que cobre os bancos deixa o ambiente mais sofisticado. O conjunto foi tão bem bolado que, a bordo do J3, quase nada remete aos modelos de origem chinesa já vendidos no Brasil.
Ainda assim, o hatch da JAC tem bastante o que melhorar, principalmente na condição que Habib o posicionou, entre os hatchs compactos premium. Além dos aspectos já apontados no texto, o modelo ainda carece, por exemplo, de um aparelho de som melhor. O empresário mandou instalar seis alto-falantes de boa qualidade, com direito a um par de tweeters, mas esqueceu de instalar um rádio/CD mais moderno – a entrada USB é a conhecida “made in China”, que depende de um cabo e não permite “espetar” um pen drive diretamente no aparelho. Já o volante até tem boa pega, mas é grande demais. No geral, o J3 tenta compensar nos equipamentos.
A lista de série segue a receita chinesa, com grande fartura de itens. Por R$ 38 mil, o modelo vem com direção hidráulica, ar-condicionado, rodas de liga leve aro 15, faróis de neblina, rádio/CD/MP3 com USB, abertura e travamento das portas na chave, vidros elétricos nas quatro portas, ajuste elétrico nos espelhos retrovisores – o botão, curiosamente, é invertido no sentido cima/baixo – e alarme. Até airbags frontais, freios com ABS e EBD, ajuste de altura dos faróis e sensor de obstáculos traseiro são de fábrica. Ou seja, diante dos competidores nacionais, o J3 tem uma relação custo/benefício imbatível. Só que, ao contrário dos outros chineses, o modelo da JAC surpreende pela qualidade. E com a força da rede, seu sucesso parece uma questão de tempo
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Como lutar contra uma reputação ruim? Perguntinha difícil, não é? No caso dos produtos chineses, é quase unanimidade. A fama costuma ser bem negativa no imaginário do brasileiro. Mas a JAC Motors que provar que esse preconceito em relação aos automóveis já pode ser derrubado – ou, ao menos, revisto. Na última sexta-feira, 18 de março, a marca chinesa fez sua estreia nacional. E com uma ação bastante ousada e inédita: mais de 50 lojas foram inauguradas simultaneamente de norte a sul do País. A ideia foi mostrar a força do pós-vendas, algo bem compreensível. Até agora, este é um dos principais pontos fracos das montadoras chinesas.
Para reverter esse quadro e demonstrar confiança aos brasileiros, a JAC Motors promete revisões a preços fixos (e baixos) e grande disponibilidade de peças. O galpão da fabricante, localizado em Barueri, no interior de São Paulo, já dispõe de grande estoque, com 16 containers de peças devidamente armazenadas. Toda essa logística tem por trás a experiência do grupo SHC, comandado pelo empresário Sergio Habib, que por anos presidiu a Citroën do Brasil. Para trazer a JAC Motors, Habib mandou a fábrica chinesa modificar centenas de itens nos modelos que serão oferecidos por aqui. Só na linha J3 foram alterados 242 componentes.
O hatch J3 (R$ 37.900) e o sedã J3 Turin (R$ 39.900) serão os primeiros carros da JAC disponíveis nas lojas. Segundo Sergio Habib, os compactos serão os prováveis “best-sellers” da marca. Em junho, estreia a minivan média J6. Depois, em setembro, será a vez do sedã médio J5. Para chegarem às lojas, todos os quatro modelos enfrentaram uma intensa e longa bateria de testes. Era fundamental que os carros estreassem prontos para as ruas brasileiras. Molas e amortecedores das suspensões foram recalibrados, a direção recebeu ajustes. Até os bancos foram alterados. Tudo para atender ao que Habib acredita ser o gosto dos brasileiros.
Como toque final, a JAC reviu até a garantia de fábrica. O período anunciado era de três anos, mas para mostrar força, Habib duplicou o prazo para inéditos seis anos de cobertura. Quer dizer, tudo o que era possível fazer para tornar os carros da JAC Motors um sucesso por aqui foi efetivamente feito. Agora, é nas lojas. E o trabalho será árduo. O empresário brasileiro quer emplacar 35 mil unidades até dezembro. A meta é arrojada, mas Habib contará com R$ 145 milhões para publicidade e o apresentador dominical Fausto Silva como garoto-propaganda. Abaixo, vocês conferem as primeiras impressões a bordo do J3, o promissor hatch chinês.
Desvendando o JAC J3
Minha aventura a bordo do JAC J3 começou logo depois do lançamento da marca. Ainda no hotel onde aconteceu a coletiva com os jornalistas, em Campinas (São Paulo), caminhei até o hatch chinês, que me surpreendeu de imediato pelo visual. Suas linhas limpas e arqueadas, esculpidas na Itália pelo renomado estúdio Pininfarina, surgiram de elementos das tradicionais máscaras chinesas – cheias de expressão facial. Dentro do carro, levei quase dez minutos até ligar o motor, passar a primeira marcha e acelerar rumo à rodovia Anhanguera, sentido capital. Não foi uma demora proposital. Era o meu primeiro contato com o veículo. Além dos ajustes, eu queria entender e localizar os comandos. Fucei tudo. Apertei quase todos os botões, feito criança.
Antes de sair, conferi até os plásticos das peças de acabamento do painel. E digo o porquê: até então, todos os modelos de marcas chinesas com os quais eu havia tido contato decepcionavam já no primeiro olhar. Mas com o J3 foi diferente. As texturas e o visual, de modo geral, agradaram. E as peças não estavam mal encaixadas. As saídas de ar centrais têm molduras que imitam cromado, há uma interessante variação de tons (cinza escuro com destalhes em prata) e o quadro de instrumentos tem formato incomum – o relógio do conta-giros fica dentro do relógio principal, do velocímetro. Mesmo a iluminação azul, presente em outros chineses, como o pequeno Chery Face, é menos “chinesa” que de costume. Em resumo, o carro aparentou ter qualidade.
Claro, nem tudo é perfeito. Por R$ 38 mil e com um conteúdo de série farto, era de se esperar “falhas”. Anotei algumas. Não há, por exemplo, ajuste de altura para o banco do motorista, nem de profundidade para o volante. Como consequência, ao fazer os ajustes, os comandos de abertura elétrica dos vidros, posicionados no descansa-braço da porta, ficam mais atrás, forçando algum contorcionismo. Também notei a ausência de computador de bordo – há apenas o odômetro – e de uma luz nos instrumentos para indicar que os faróis estão ligados, já que o painel fica permanentemente aceso (blackout). Senti falta ainda de um botão para destravar as portas, ação realizada apenas pelos pinos das portas, e de outro para ajuste da intensidade da luz do painel.
É nesses pequenos detalhes que está o segredo para um preço tão competitivo. Mas ainda que o J3 fosse impecável, com todos esses itens presentes, teríamos algo a observar. Por exemplo, os pneus 185/60 de aro 15 são da GT Radial (Champiro), marca pouco conhecida dos brasileiros e cujos preços costumam ser menores que o dos pneus de marcas tradicionais, como Goodyear e Pirelli – é difícil até encontrar esses modelos em lojas especializadas. Já as portas possuem abertura gradual, em dois estágios, como ocorre em muitos modelos nacionais. Mas em ladeiras, é preciso ter cuidado, pois elas (as portas) ficam meio “soltas” e, dependendo da inclinação da carroceria, podem voltar com força, causando acidentes.
Motor e suspensão mostram sintonia
Feitos os primeiros ajustes e considerações, fui finalmente experimentar o J3 na rodovia Anhanguera, pista que voltei a percorrer nos dias seguintes, em nova viagem ao interior paulista no hatch chinês. Nas primeiras manobras, o câmbio manual de cinco marchas decepcionou um pouco. Apesar da suavidade e leveza e do curso acertado da alavanca, os engates enroscam um pouco, principalmente nas reduções. A perda de fôlego nas retomadas, sobretudo em subidas, também desanimou um tanto – o escalonamento poderia ser mais justinho, já que o motor mostra sua melhor forma a partir dos 4.500 giros, quando o torque máximo de 14,1 kgfm é despejado por inteiro.
Uma vez na rodovia, comecei a “estudar” o propulsor 1.4 litro, com bloco feito em alumínio, sistema de variação das válvulas de admissão (VVT) e 108 cv aos 6.000 giros. Ali veio a primeira boa surpresa no J3: trabalhando em giros altos, o motor esbanja energia para empurrar o hatch chinês, com acelerações bastante lineares e pouca vibração e ruídos. Aliás, um dos aspectos modificados no modelo foi justamente o isolamento acústico, que se mostrou acertado para o bloco. Apesar de as portas não filtrarem tão bem os barulhos externos e aerodinâmicos, quase não se ouve o ronco meio agudo do propulsor 1.4 litro, mesmo quando este trabalha a rotações bem elevadas.
Outro aspecto que impressionou foi o acerto da suspensão. Este, inclusive, foi um dos itens mais trabalhados pelos engenheiros da JAC. Era preciso deixar o conjunto bem acertado e, para isso, foram feitos diversos ajustes e percorridos mais de dois milhões de quilômetros antes do lançamento. E o resultado é realmente positivo. Ao contrário de outros modelos importados da China, o J3 é firme e, ao mesmo tempo, macio. Está prontinho e adequado às ruas brasileiras. O ajuste da suspensão lembra muito o dos compactos da linha Fiat Palio e os Renault Sandero e Logan. E é até superior ao Palio, já que o hatch da JAC é mais moderno e tem maior rigidez estrutural que o modelo da marca italiana, que ganhará nova geração em breve.
Em movimento, o J3 mostrou vigor para acelerar e firmeza nas curvas, mesmo em manobras mais intensas – mas, claro, salvas as devidas proporções. Ainda que a suspensão seja bem calibrada, o compacto inclina a carroceria e embica a dianteira nas frenagens mais agudas. O hatch só decepciona nas retomadas, como mostram os números do Instituto Mauá de Tecnologia. Para ir de zero a 60 km/h, o J3 precisou de bons 5,6 segundos, tempo bem menor que os 13,5 segundos gastos para ir até os 100 km/h. Já para resgatar o fôlego dos 60 km/h aos 100 km/h foram necessários longos 14,6 segundos. E para ir dos 80 km/h aos 120 km/h foram precisos 15,1 segundos.
Outro aspecto positivo revelado pelos números do Instituto Mauá é o consumo. A tecnologia flex só chegará ao J3 e aos demais modelos da JAC Motors no início de 2012. Mas o rendimento do hatch compacto com gasolina é de deixar muitos carros nacionais com a “pulga atrás da orelha”. Na cidade, o carrinho chinês entregou ótima média de 11,5 km por litro de combustível. Já na estrada, o rendimento foi de excelentes 17,3 km/l – a média equivale à dos modelos equipados com motores mil (1.0 litro). Muito desse rendimento vem do baixo peso da carroceria (1.060 kg em ordem de marcha) associado ao motor moderno, com comando variável de válvulas (VVT).
Conforto é bom, mas pode melhorar
Nesses seis dias de contato direto com o J3, ficou claro o esforço da JAC em entregar um carro compatível com os modelos à venda no País. Exceto o Chery Face, nenhum veículo chinês até agora tinha se aproximado, em qualidade, dos concorrentes nacionais – sobretudo no quesito acabamento. Mas o J3 está ajeitado. Sergio Habib mandou melhorar o isolamento acústico, ainda distante do ideal, mas agradável; mandou trocar os bancos, feitos com espumas de boa densidade, nem muito molenga nem duras demais; e solicitou que alterassem as peças plásticas do acabamento, com texturas e visual mais sedutores os olhos e ao toque.
Mas de todas as mudanças, a mais evidente é a qualidade da montagem. A ausência de rebarbas e o encaixe preciso das peças do painel denotam esmero, ao mesmo tempo em que a variação de texturas e materiais aparenta bom gosto. O cromado dos anéis das saídas de ar e das maçanetas das portas, por exemplo, emprestam algum requinte ao interior quase todo coberto em plástico rígido. No chão, há tapetes em carpete em vez de borracha. E o tecido aveludado que cobre os bancos deixa o ambiente mais sofisticado. O conjunto foi tão bem bolado que, a bordo do J3, quase nada remete aos modelos de origem chinesa já vendidos no Brasil.
Ainda assim, o hatch da JAC tem bastante o que melhorar, principalmente na condição que Habib o posicionou, entre os hatchs compactos premium. Além dos aspectos já apontados no texto, o modelo ainda carece, por exemplo, de um aparelho de som melhor. O empresário mandou instalar seis alto-falantes de boa qualidade, com direito a um par de tweeters, mas esqueceu de instalar um rádio/CD mais moderno – a entrada USB é a conhecida “made in China”, que depende de um cabo e não permite “espetar” um pen drive diretamente no aparelho. Já o volante até tem boa pega, mas é grande demais. No geral, o J3 tenta compensar nos equipamentos.
A lista de série segue a receita chinesa, com grande fartura de itens. Por R$ 38 mil, o modelo vem com direção hidráulica, ar-condicionado, rodas de liga leve aro 15, faróis de neblina, rádio/CD/MP3 com USB, abertura e travamento das portas na chave, vidros elétricos nas quatro portas, ajuste elétrico nos espelhos retrovisores – o botão, curiosamente, é invertido no sentido cima/baixo – e alarme. Até airbags frontais, freios com ABS e EBD, ajuste de altura dos faróis e sensor de obstáculos traseiro são de fábrica. Ou seja, diante dos competidores nacionais, o J3 tem uma relação custo/benefício imbatível. Só que, ao contrário dos outros chineses, o modelo da JAC surpreende pela qualidade. E com a força da rede, seu sucesso parece uma questão de tempo
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